Voltemos, contudo, a questão principal: o Natal está sendo empobrecido em seu sentido profundo. Quando vamos às lojas, aos shoppings e as repartições públicas, por exemplo, vemos tudo muito colorido e iluminado para festejar o “bom velhinho”, sinal mais do consumismo do que da bondade ou generosidade das pessoas. Acontece uma substituição dos ícones do Natal. Em lugar da manjedoura, um belo carro a ser comprado ou sorteado; em lugar da imagem do Menino Deus, um grande boneco do Papai Noel. Aqui surge a pergunta: o que ou a quem adoramos no Natal? Certamente não cairemos no ridículo de dizer que as pessoas estão adorando o “bom velhinho”, mas é provável que também a adoração não esteja sendo dada ao Filho de Deus encarnado. Adorar é devotar toda a nossa atenção, todo o nosso amor. Adorar é depender de Deus e pautar nossa vida pela sua vontade, resumida na lei suprema do amor.
O mundo não é mais o mesmo, as pessoas mudaram seus conceitos e as convicções tendem a ser casa vez mais relativizadas, graças também ao fenômeno da divisão do cristianismo em milhares de igrejas e seitas. O Natal é a festa cristã por excelência, mas não está sendo a celebração universal da pessoa que mudou para sempre a história da humanidade. A festa da entrega do “Presente do Pai”: o Salvador de toda a humanidade. Estamos desprezando o principal para acolher o adicional, abandonamos o homenageado para curtir a homenagem, rejeitamos o dono da Festa para acompanhar o intruso. Para mudar o quadro só há um caminho: recomeçar, voltar às origens para redescobrir na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja o que significa para o mundo e para cada pessoa desejar: Feliz Natal!
Pe. José Lenilson de Morais
(Administrador paroquial da Paróquia de Nª Srª do Ó - Nísia Floresta)
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